A
mais antiga notícia sobre um vôo planado é
encontrada na mitologia grega e nâo foi uma história
com final feliz. Dédalo arquiteto-criador do labirinto
de Minos, e seu filho Ícaro tentam fugir da prisão
da ilha do Creta voando com asas feitas de penas de falcão
unidas com cera de abelha. Ícaro, ébrio pelo
vôo, elevou-se demais fazendo com que o color do sol
derretesse cera quo moldava as asas. Ele cai e morre, salvando-se
apenas seu pai, Dédalo, que entra para a galeria mítica
dos homens que conquistaram Os céus.
Foi preciso a tecnologia avançar para que os passos
em direção aos ceus ficassem mais seguros e
objetivos. Francis Rogallo trabalhava para a NASA, como engenheiro
e diretor do Laboratório de Langley, pesquisando as
possibilidades dos aerofólios flexíveis serem
usados pelos pilotos nos vôos de regresso das missões
espaciais. Como subproduto destes estudos, Rogallo e sua mulher
patenteiam, em 1962, um artefato que irá servir de
modelo para todos os desenvolvimentos subseqüentes de
asas para vôo livre.
Ao contrário de todas as experimentações
anteriores, a asa dos Rogallo é tecnicamente bem-nascida
e criada num dos melhores laboratóriosdo mundo, a partir
de amplas experiências com túneis-de-vento e
com modelos de de simulação de vôo por
computador.
O australiano Bill Moyes, em 1968, é o primeiro a praticar
o "soaring" com uma asa e logo depois, em 1974,
o francês Stephan Dunoyer de Segonzac vem ao Brasil
e faz o primeiro vôo oficial saltando do Cristo Redentor.
Muitos adeptos do esporte surgiram na época e Luiz
Cláudio Araújo de Mattos tornou-se o primeiro
voador brasileiro , utilizando o sítio da Pedra Bonita,
em São Conrado, como ponto de decolagem.
Desde os primeiros vôos, em 1974, o Rio exerceu uma
completa liderânça na explosão deste esporte
no Brasil. A criação da Associação
Brasileira de Vôo Livre, em 1976, organizou a sistematização
de treinamento e normas de segurânça, além
de projetar pilotos brasileiros, com sucesso, em competições
internacionais.
Hoje, a associação Brasileira de Vôo Livre
- ABVL- é composta por 11 associações
estaduais que contam com mais de 2.000 praticantes do esporte
em todo o país. Junto ao Departamento de Aviação
Civil - DAC - mantém a responsabilidade pela a regulamentação
e coordenação do esporte em nível nacional.
No panorama internacional, em 1981, conquistamos o Campeonato
Mundial de Vôo Livre, no Japão, com o piloto
Pepê Lopes. Atualmente, somos os segundos no ranking
mundial. Campeão Mundial por Equipes em 1989 e Campeão
do Pré-Mundial de 1990, com o piloto Paulo Coelho,
o Brasil sediou, em fevereiro de 1991, o VIII Campeonato Mundial
de Vôo Livre, na cidade de Governador Valadares/MG,
onde ficamos com o segundo lugar por equipes e os pilotos
Pepê Lopes como vice-campeão Mundial e o piloto
Paulo Coelho com a terceira colocação. Em 1999,
a equipe Brasileira conquistou o título de campeã
Mundial por equipes, na Itália, com o piloto André
Wolf ficando como Vice-campeão Mundial, o piloto Pedro
Matos em terceiro lugar, o piloto Beto Schmitz com a quarta
colocação, Luiz Niemeyer com a sexta e Álvaro
Sandoli (Nenê Rotor) com a oitava colocação.
Em 2003 foi realizado no Brasil, em Brasília, o XIV
Campeonato Mundial de Vôo Livre, onde mais uma vez os
pilotos brasileiros se destacaram e conquistaram a vice-liderança
no ranking mundial, ficando atrás apenas dos pilotos
austríacos. O próximo Campeoanto Mundial será
realizado na Austrália, em janeiro de 2005.
Através
do Circuito Brasileiro, os pilotos se preparam para as competições
internacionais, e a seleção da Equipe Brasileira
é feita através de um ranking dinâmico
e muito competitivo.
As competições são realizadas com provas
de velocidade em circuito pré-determinado do tipo triangulação,
ida e volta ou direto ao Gol. Estes circuitos, são
determinados conforme a condição meteorológica
do dia da prova e geralmente são de mais de 100 km
. A comprovação do vôo é feita
através do GPS, a velocidade média das asas
no percurso é em torno de 50km/h e na reta final, na
acelerada para cruzar a linha de chegada, a velocidade da
asa pode até passar dos 150 km/h.
Ao
longo desses 16 anos de vôo livre no Brasil, muitas
etapas foram vencidas e, sem dúvida, uma grande conquista
foi a construção da sede própria da ABVL
no terreno cedido pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro
na área de pouso em São Conrado, berço
do vôo livre nacional e onde em dias de boas condições
de vento é possível sobrevoar o Corcovado, a
Pedra da Gávea e a floresta da Tijuca.
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